O alto índice de furtos tem levado supermercados a cobrar até 5% a mais nos preços das mercadorias, com o objetivo de cobrir prejuízos. Os gastos com segurança (circuito interno de TV, alarmes e fiscais de loja, entre outros) também acabam pesando no bolso dos consumidores. Entre os itens mais roubados, estão: bebida, azeite, queijo, salame, carne bovina e chocolate.
Gerente de marketing do Multi Market, no Bairro de Fátima no Rio de Janeiro, Adail Soares de Souza, 36 anos, afirma que o investimento para reduzir o número de roubos só nessa loja chega a R$ 9 mil por mês. “As despesas com pessoal e equipamento acabam sendo embutidas nos preços dos produtos”, admite. Segundo Adail, a loja trabalha com uma margem de lucro de 35%. Para cobrir o prejuízo com furtos, são acrescidos a esse valor pelo menos 5%. “O prejuízo, em média, é de 2% a 3% da venda diária”, diz ele.
Para se ter idéia, só em outubro, o supermercado deixou de ganhar R$ 7 mil devido aos roubos. Foi a maior perda registrada no ano — o balanço de novembro e dezembro ainda não foi divulgado.
FLAGRANTE
Imagens feitas no Multi Market mostram um homem colocando dentro da calça uma garrafa de uísque. Também aparece nas gravações uma mulher furtando uma peça de carne, um dos produtos mais roubados, segundo o gerente.
Dados da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) revelam que 80% dos supermercados do País investem em sistemas de segurança, principalmente em circuitos internos de televisão. Pesquisa da associação mostra ainda que o prejuízo com mercadorias furtadas representa 2% do faturamento mensal das empresas. De acordo com profissionais do setor, os investimentos em segurança são fundamentais. Os supermercados que deixam de investir acabam tendo prejuízo bem maior devido à quantidade e à freqüência de furtos.
REPASSE
São comuns casos de reincidência. Segundo o gerente de marketing do Multi Market, Adail Soares de Souza, há pessoas que só são abordadas pelos seguranças na segunda ou terceira vez em que cometem o furto. “Quando é a primeira vez, costumamos relevar. Mas, quando a pessoa volta a cometer o crime, não temos como evitar a ida à delegacia”, explica.
As despesas repassadas aos clientes são altas. Uma garrafa de uísque, por exemplo, que custaria R$ 37,89, sai por R$ 39,89, para compensar os prejuízos com roubos. O mesmo ocorre com o queijo bola, que, de R$ 37,23, vai a R$ 39,19.
Fonte: Noticia publicada em 16/01/2009 no site do Procon-DF