Por Jean Laurindo
No comércio varejista, perdas com furtos e roubos podem representar até 5% do faturamento total de uma empresa. E mais: 22% dos furtos são praticados por clientes – 52% mulheres de padrão de renda elevado. Para atenuar esse quadro, a Paros Soluções Antifurto, de Blumenau, disponibiliza sistemas de prevenção de furtos, através de produtos como antenas sensoriais que impedem o consumidor de sair com mercadorias sem passar pelo caixa. De acordo com estudos realizados por alguns clientes, o equipamento da empresa reduz os furtos nos estabelecimentos em até 97%.
A empresa, fundada em 2001, iniciou o ano já com uma expectativa de crescimento de 30%. Além das antenas preventivas a empresa está colocando no mercado o All Protect, equipamento produzido com tecnologia própria, destinado à proteção de eletroeletrônicos como aparelhos celulares, câmeras digitais, notebooks, ferramentas elétricas, entre outros.
A empresa é a única do ramo com sede no estado de Santa Catarina e, até agosto, contará com seu primeiro representante na região Centro-Oeste. “Esta é a próxima área que pretendemos abranger”, garante Paulo Roberto Soares, diretor da empresa.
Nove pessoas atuam e atendem lojas da região Sul do país. “Os principais produtos da nossa empresa são compostos pelas antenas antifurto e etiquetas protetoras”, afirma o diretor.
Nos últimos quatro anos, a empresa apresentou um crescimento médio de 20%. Em 2008, estima um crescimento de 30%. “Esse ano a expectativa é um pouco melhor”, confirma Paulo Roberto.
MERCADO
Campo Grande será o novo centro atendido pela Paros. A decisão faz parte de um novo projeto de englobar a região Centro-oeste nos serviços prestados. “É uma região ainda bem carente nesse setor”, garante o diretor.
A empresa atende também através de parcerias, buscando saber quais estabelecimentos possuem necessidade e interesse em implantar esse sistema de proteção de mercadorias. Há equipamentos instalados em quase todas as cidades do Sul do Brasil, algumas bem pequenas, até com menos de 10 mil habitantes.
A Paros iniciou sua atuação basicamente em 3 segmentos: vídeo-locadoras, drogarias e lojas de confecção e calçados. “Hoje possuímos clientes de todos os segmentos do varejo, tais como livrarias, supermercados, eletroeletrônicos, papelarias, restaurantes, lojas de informática, de brinquedos, de conveniência e até em lojas de R$ 1,99”, assegura o diretor.
Em função do ramo que atua, é possível conhecer boa parte dos clientes. É isso que afirma Paulo Roberto. “Observamos quem vai abrir algum estabelecimento comercial em breve e pode precisar dos produtos, e então apresentamos nossos serviços. Além disso, o bom relacionamento com o mercado em quase 12 anos de atuação ajuda muito”, esclarece.
COMO FUNCIONA
O sistema de segurança oferecido pelas antenas sensoriais funciona da seguinte maneira: etiquetas de segurança são implantadas no produto. Ao passar pelas antenas, geralmente localizadas na porta do estabelecimento, sem ser desativada ou removida, essa etiqueta é detectada pelas antenas, o que dispara o sinal sonoro e visual. No caixa dos estabelecimentos instala-se um desativador. Quando atravessa o caixa o produto já é desativado.
Uma pequena parte dos materiais utilizados pelas antenas é importada pela Paros. Outros produtos, em sua maioria, são terceirizados. O serviço oferecido pela empresa refere-se ao desenvolvimento do projeto, montagem e instalação do sistema. “Quando oferecemos o serviço, é o kit completo. Do produto a orientação e garantia”, assegura Paulo.
Entretanto, a manutenção dos aparelhos, segundo o diretor, é baixíssima. “Quase não há registros”, confirma.
EFICIÊNCIA DO PRODUTO
Balanços realizados mensalmente para saber a redução dos furtos em uma grande rede catarinense de farmácias que conta com os serviços da Paros, mostraram que o índice mais baixo de redução ficou na casa dos 82%. O melhor deles, na unidade de Indaial, reduziu 97% dos furtos do estabelecimento.
Além da eficiência do sistema, Paulo garante que “o simples fator inibidor já traz resultados satisfatórios, inibindo a ação do infrator”.
Mesmo com a eficiência demonstrada, o diretor atenta para os tipos de roubos mais difíceis de ser combatidos. “Comparado aos furtos praticados por clientes, existe um número de furtos ainda maior que se refere aos furtos internos, ainda mais difíceis de controlar e de responsabilidade também do proprietário do estabelecimento, que deve iniciar o processo de prevenção de perdas já na contratação do seu pessoal”, salienta.
DETALHAMENTO DO ROUBO
Mais do que prejuízos para o dono do estabelecimento, os furtos suscitam também uma série de estudos para saber mais sobre esse inimigo a ser combatido. De acordo com números do Programa de Administração do Varejo (Provar), centro de estudos ligado a Universidade de São Paulo (USP), 25% dos furtos no Brasil são internos – ou seja, praticado por funcionários da própria empresa – e 22% por clientes.
Os furtos se dividem em amador e profissional, além do interno. O amador é cometido por pessoas que entram no estabelecimento com intenção de comprar, mas acabam sendo tentados ao furto. O profissional ocorre quando o cliente já entra no local com intenção de furto.
Em supermercados, por exemplo, a área que requer mais atenção nesse sentido é a perfumaria. “É a área mais visada pelos praticantes de furto”, revela o diretor.
PERFIL DO LADRÃO
Engana-se quem pensa que os furtos são praticados, em sua maioria, por pessoas carentes. O perfil do praticante de furto, de acordo com clientes da empresa no sul do Brasil, corresponde à mulher, entre 41 e 55 anos e de classe média. Setenta e três por cento dos praticantes dos furtos são adultos.
Ainda segundo os estudos, sábado é o dia de maior incidência de furtos e o horário mais propenso é das 12h às 15h.
PERSPECTIVAS DA EMPRESA
Sobre o futuro do trabalho da empresa, Paulo Roberto aponta uma perspectiva já estipulada. De acordo com ele, o trabalho para o futuro é diminuir o tamanho das etiquetas e aumentar a distância entre as antenas. “Queremos que nosso produto se adeqüe a loja, e não que a loja se adeqüe ao produto”, afirma.
Ele enfatiza ainda a necessidade do lojista perceber que a prevenção de perdas é um canal rápido para aumentar os lucros da operação de varejo. “Nos tempos de inflação alta, as perdas não eram percebidas. Mas hoje já não é mais possível simplesmente repassar esses custos para o preço do produto. Temos que achar outras medidas que possam aumentar os lucros da loja e a prevenção dos furtos é uma delas. Que tal começar agora fazendo uma nova contagem dos estoques da sua loja?”, finaliza.
Matéria publicada em 05/03/2008 no Noticenter (www.noticenter.com.br)
|